Lessons from India – Receber e confiar

Acabo de regressar da Índia. Ainda estou a integrar toda a aprendizagem. Foi a primeira vez neste país e uma boa parte da viagem fi-la sozinha!

Posso dizer dizer que é um choque quando lá chegamos mas também é um choque quando voltamos. Apesar de a viagem ter tido um objetivo específico para praticar Yoga, toda uma aprendizagem de vida de vida vem até nós. Nem sempre a que queremos, mas aquela que precisamos.

Neste país tão pobre e tão rico, de costumes e tratos tão diferentes dos nossos, posso dizer que primeiro fiquei impressionada com uma certa rudeza, mas depois, abrindo o coração para este novo mundo, tudo começa a mudar e a aprendizagem começa.

A sensação estranha ao voltar é ver todo o conforto e regras que nos rodeiam aqui no ocidente e mesmo assim um sentimento de tristeza e “incompletude” tão generalizado.

Estaremos a procurar no sítio certo?

Estaremos a priorizar o que realmente importa? A flexibilidade para saber fluir com a vida, para ter a abertura para ver sempre os planos que fazemos sempre a serem alterados é algo de facto que esta viagem nos ensina.

Por muito boas intenções que tenhamos, a Índia tem sempre a capacidade de nos trocar as voltas e, apesar disso, ESTÁ TUDO BEM.

De maneira mais ou menos fácil, mais ou menos rápida, tudo se acaba por resolver. Aqui gostamos muito de andar a correr. Mas atrás de quê mesmo? Será que o vamos saber quando chegarmos ao fim das nossas vidas?

Na Índia as vacas andam de forma sábia e vagarosa pelas ruas, as pessoas têm os seus rituais espirituais como prioridade. Os seus problemas não se prendem com uma casa de banho que está suja, com a eletricidade que foi abaixo ou com a rua estar com buracos.

Não chegar a tempo para algo porque o comboio foi cancelado em cima da hora é normal. Não quero dizer que isso é bom, mas nem sempre é o que realmente importa e se olharmos para trás nas nossas vidas vemos o quanto isso é verdade. Quando as coisas não acontecem como tínhamos planeado, um novo mundo de possibilidades se abre. E muitas vezes mais interessante!

E essa é a capacidade de conseguirmos viver no momento presente, atingirmos o futuro através do que criamos no presente e não querermos saltar para o futuro, sem ter vivido o presente. Porque isso simplesmente não existe, quer queiramos quer não. Normalmente as coisas são simples por si mesmas, é a nossa interpretação das mesmas que lhes dá complexidade.

Aprendamos a simplificar mais e a controlar menos.

Saber receber, deixar partir e CONFIAR.

Mother Índia, obrigada pela lição.

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