A Lua

Não é de hoje que a Lua Cheia intriga um grande número de pessoas no mundo inteiro. Mitos e Lendas foram construídos à sua luz. Filósofos, Cientistas e Astrónomos dedicaram seu tempo a explorar os seus mistérios. É sabido que a Lua tem influência sobre as formas líquidas: influencia as marés (as águas externas), e influi também sobre as “águas internas”, como o sangue, a linfa e outros líquidos internos que fazem parte de nós.

Os antigos regiam-se pela Lua: plantavam, colhiam, antecipavam mudanças de marés ou o nascimento de uma criança, mas com o passar do tempo e o estilo de vida citadino, cada vez mais a Lua passa-nos desapercebida. As luzes artificiais da cidade ofuscam o seu brilho e o seu encanto, mas mesmo não sendo notada, ela continua a exercer influência sobre nós.

A luz do Sol que incide sobre a Lua é o que lhe dá o aspeto mais ou menos cheio, que conseguimos avistar da Terra. Durante uma lunação (tempo transcorrido entre duas Luas Novas) ocorrem quatro fases da Lua: Lua Nova, Lua Quarto-Crescente, Lua Cheia e Lua Quarto-Minguante.

Cada fase da Lua possui uma energia própria, que é ditada pela variação de forças de atração entre o Sol, a Lua e a Terra. O efeito mais conhecido do ciclo das fases é a influência que exerce sobre todas as formas líquidas: variação das marés, variação da seiva nas plantas, variação dos líquidos internos (sangue, linfa, etc.) nos seres humanos.

Existe uma força de atração entre o Sol e a Terra e entre a Lua e a Terra. Contudo, e apesar da maior dimensão do Sol, a força exercida por este é menor pelo facto de estar 390 vezes mais distante da Terra que a Lua.

Apesar dos nossos corpos estarem habituados a viver com estas variações de forças, o alinhamento e oposição de forças que ocorrem na Lua Nova e Lua Cheia, influenciam de forma diferente.

A relação da Lua com a prática de Yoga foi introduzida por K. Patthabi Jois, precursor do método Ashtanga. Neste método, existe uma orientação para a não prática de yoga, ou uma prática mais leve e simples nos dias de Lua Cheia e Lua Nova. No decorrer da sua prática e ensino, Patthabhi Jois percebeu variações na hidratação das articulações e na energia do praticante.

Lua Nova

Durante a Lua Nova existe um alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra, onde a força da atração do Sol e da Lua encontram-se na mesma direção. É como se o Sol e a Lua se unissem, atraindo a Terra nas suas direções

Aquilo que vemos no céu é uma noite escura. A maré está baixa, a seiva das plantas concentra-se nas raízes, estamos com menos energia, mas quietos e reservados. Existe uma maior variação de água no corpo, a pele e as articulações ficam menos hidratadas. É um período que está associado ao Inverno, sendo um período de introspeção, propício para transmutar as energias e dar lugar às novas coisas, iniciar novos projetos e plantar novas sementes.

Durante esta fase as pessoas encontram-se mais recolhidas, tanto física como psicologicamente. Mas apesar de ser um período de introspeção, a Lua Nova representa o período mais fértil para se dar início a algo novo, seja uma dieta, um exercício, mudar um comportamento, etc. É-nos dada a oportunidade de nos reinventar. Tudo o que projetarmos durante esta fase terá maior hipótese de florescer, seja um pensamento, palavras ou planos.

O que Patthabhi Jois reparou é que com uma menor hidratação das articulações, havia uma maior propensão para lesões, razão pela qual orienta a não prática ou uma prática mais leve nas 24h que antecedem o pico da Lua Nova.

Sugestões:

  • Faça um momento de introspeção, olhe para dentro e medite;
  • Reflita sobre o que necessita ser transmutado;
  • Inicie novos projetos e plante novas sementes (ideias).

Lua Quarto-Crescente

Sensivelmente sete dias depois, a Lua desloca-se 90 graus em relação ao Sol, começamos a vislumbrar um tímido rasgo de luz no céu ainda escuro, a seiva das plantas começa a subir, sob influência gravitacional da Lua sobre a Terra. É uma fase que está associada à Primavera. A cada dia que passa a Lua fica mais iluminada, representando uma fase de crescimento, fertilidade e continuidade. É um período ideal para rever projetos, fazer as modificações necessárias e corrigir algumas abordagens.

Existe uma desarmonia característica desta fase – começam a surgir os primeiros obstáculos e temos de lutar para que os nossos projetos e intenções vinguem. O padrão comportamental que for adotado durante esta fase tende a prolongar-se durante todo o ciclo lunar: se tiver uma atitude positiva, poderá trazer o crescimento de sucesso, da mesma forma que se tiver uma atitude negativa poderá trazer o crescimento de obstáculos.

Sugestões:

  • Mantenha uma atitude positiva face aos obstáculos que poderá vir a encontrar;
  • Reveja seus projetos, e faça as modificações necessárias para que possam crescer;
  • Reveja as suas abordagens, e se necessário corrija-as.

Lua Cheia

Durante a Lua Cheia, há um alinhamento Sol-Terra-Lua. Aqui a Terra encontra-se entre o Sol e a Lua, que exercem forças opostas, que “puxam” em direções diferentes.

Quando a Lua fica cheia, vemos no céu uma grande esfera de Luz que ilumina a noite. A maré está alta e a seiva das plantas se encontra nas folhas, e a estação do ano associada a esta fase é o Verão. A energia está no seu potencial máximo, o que torna propício a muita agitação, expressividade, criatividade, plenitude, amadurecimento e colheita dos frutos plantados.

Esta Lua torna as pessoas mais sensíveis, inquietas, mexendo com o estado emocional geral e alterando o humor. É conhecida como a fase de realizações e transbordamentos, para melhor ou para pior, dependendo da forma como vivenciamos a Lua de Quarto-Crescente.

Nesta fase, ficamos mais recetivos e mais ligados ao nosso inconsciente. Torna-se bem mais difícil manter o equilíbrio, por isso o conselho é reconhecer que se trata apenas de uma fase e manter a calma. Ficamos mais sensíveis, irradiamos mais energia para o ambiente, mas igualmente estamos mais propensos a absorver a energia do ambiente.

É o momento de dar à luz a ideias, sonhos, projetos, deixando transbordar os nossos aspetos mais profundos. Com a força da Lua Cheia, passamos a atrair tudo aquilo que vibramos internamente, seja de forma consciente ou inconsciente.

A movimentação das águas externas (marés) e internas (sangue, linfa, etc.), torna este período mais propício à conexão com qualidades como a fluidez, a adaptabilidade, a entrega, a compaixão, e empatia e a transparência. Nota-se também um aumento do nosso potencial intuitivo e uma maior conexão com as nossas emoções. É um bom período para permitir-se sentir!

Patthabhi Jois reparou, que durante esta fase nos sentimos com maior vigor, mais intensos, as articulações encontram-se mais lubrificadas, o que nos traz uma sensação de maior força e flexibilidade. Esta sensação de maior vitalidade pode levar-nos a exigir mais do corpo, por isso aconselha uma prática mais leve, a fim de evitar lesões. Propõem ainda uma prática com foco na auto-observação para a conquista de um estado maior de presença, talvez pelo fato de estarmos mais recetivos e conectados com a nossa faceta mais inconsciente.

Sugestões:

  • Reconheça a impermanência da fase e mantenha a calma: se está a ser agitada, reconheça que em breve acalmará, e vice-versa;
  • A prática de yoga, pranayama e meditação ajudam a acalmar a inquietação típica desta fase;
  • Aproveite esta maior ligação ao seu lado inconsciente para observar aspetos do nosso Ser que são trazidos à superfície, percebendo com clareza e compaixão, quais os padrões, hábitos e crenças que são amplificados em nós neste momento;
  • Escolha conscientemente os seus ambientes, uma vez que existe maior propensão para absorver mais energia;
  • Entre em contacto com o seu lado mais fluido, adaptável e empático e olhe para as situações da sua vida sobre este novo prisma;
  • Permita-se sentir! Sinta a sua intuição e as suas emoções;
  • Permita que as emoções venham ao de cima, sejam elas boas ou menos boas;
  • Opte por uma prática mais leve e com o foco na auto-observação.

Lua Quarto-Miguante

Dia após dia a Lua se vai tornando menos visível, até que um novo ciclo se inicia quando a Lua volta a estar alinhada entre o Sol e a Terra (Lua Nova). A seiva das plantas começa-se a mover novamente para baixo com a diminuição da influência gravitacional da Lua. Está relacionada ao Outono, estando presentes energias de finalização, desintegração, reorganização, limpeza, reflexão e descanso. Este movimento decrescente é propício para libertar o que já não serve, abrindo espaço para o novo que virá com a Lua Nova.

As fases da Lua têm um grande impacto nas nossas emoções – como as sentimos, como as vivenciamos. A fase de Lua Quarto-Minguante é propícia para deixar ir situações que nos são insatisfatórias, por isso é uma excelente altura para fazer uma autoanálise, limpeza doméstica e livrar-se daquilo que já não nos serve.

Sugestões:

  • Aproveite a energia da Lua Minguante para descansar, refletir, reorganizar a sua vida e o seu espaço, e deixe partir aquilo que já não serve, seja uma roupa, uma atitude ou emoções;
  • A prática de yoga e meditação ajudam a trazer a atenção para dentro e a trabalhar o desapego;
  • Permita-se “esvaziar” do que é “velho” para dar entrada ao “novo”.

À medida que nos tornamos mais conectados e presentes, começamos a sentir e influência das energias das várias fases da Lua e começamos a aprender a tomar melhor partido destas flutuações.

O yoga, as técnicas de respiração (pranayamas) e a meditação são sem sombra de dúvidas ferramentas mestras para trabalhar esta conexão e alcançar um estado de presença. Este estado de maior presença trará modificações profundas no seu dia a dia e uma melhor qualidade de vida.

Permita-se observar a Lua, note como está a sua respiração, pratique yoga, medite e traga a si um estado de maior presença e conexão.

Namaste!